quinta-feira, 4 de março de 2010

3.º Domingo da Quaresma

TERCEIRo Domingo da Quaresma – Ano C - 2010

Êxodo 3,1-8a.13-15 – Salmo 102 – 1Coríntios 5,17-21 – Lucas 13,1-9

A Oração antes das Leituras dá uma linha para a interpretação das Leituras: “Ó Deus (nosso Pai), fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado. Acolhei esta confissão de nossa fraqueza para que humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia”.

A Leitura do Livro do Êxodo traz a vocação de Moisés. O próprio Moisés se sentia aquém da missão de libertar o povo do Egito. Se tomarmos os versículos que a Leitura salta, veremos Moisés dizer: “Quem sou eu para ir ao Faraó e fazer sair do Egito os filhos de Israel? Deus disse: ‘Eu estarei contigo; e sete será o sinal de que eu te enviei: quando fizeres o povo sair do Egito, vós servireis a Deus nesta montanha’.” (Êxodo 3,11-12). Esse serviço a Deus na montanha nunca se deu pois o povo construiu um bezerro de ouro e disse que foi o bezerro que os libertou do Egito, numa terrível idolatria contra Deus. Por esta razão, Moisés quebrou as Táboas da Lei, com os Dez Mandamentos, sobre o bezerro de ouro. Mas Deus acabou perdoando o povo, em sua enorme misericórdia. Até Moisés se sentiu incapacitado para a sua missão e o remédio é sempre a presença de Deus. Deus lhe responde: “Eu estarei contigo” (Êxodo 3,12). A presença misericordiosa de Deus é a nossa salvação. Felizes os que, como Abraão, andam na presença de Deus. “Porque, se Abraão foi justificado em virtude de sua observância, tem que se gloriar; mas não diante de Deus” (Rm 4,2). “Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará” (Tg 4,10). “Que ele confirme os vossos corações, e os torne irrepreensíveis e santos na presença de Deus, nosso Pai, por ocasião da vinda de nosso Senhor Jesus com todos os seus santos!” (1Ts 3,13). “Cornélio fixou nele os olhos e, possuído de temor, perguntou: Que há, Senhor? O anjo replicou: As tuas orações e as tuas esmolas subiram à presença de Deus como uma oferta de lembrança” (At 10,4).

A Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, Jesus Cristo é a misericórdia de Deus. A “rocha” da qual brotou a água para todos beberem era Cristo. Mesmo tratados com misericórdia o povo não agradou a Deus e muitos morreram no deserto. Também não devemos murmurar. O que é murmurar? É ir contra as disposições divinas que se observam nas nossas vidas e interpretar as coisas como sorte ou azar quando estamos todos sob a amorosa providência de Deus. Em dias de calor é muito comum observar as pessoas murmurando ao dizer que está muito calor. É melhor viver um dia de calor do que morrer antes de sentir o calor: cada dia é uma graça de Deus para nós. E toda a graça de Deus deve merecer o nosso agradecimento e não a nossa reclamação. A mesma coisa se está frio.

No Evangelho Jesus nos diz que as vítimas de acidentes não são mais pecadoras do que todos os outros como se fosse um castigo que se abateu sobre elas. Os acidentes não são castigos divinos. Nem obra de azar. Nós que escapamos de tantos acidentes devemos fazer penitência para que nosso destino eterno não seja comparável a um acidente desses. O vinhateiro da parábola é Jesus Cristo, que derrama graças sobre nós para que nós demos fruto e agrademos a Deus, Nosso Senhor. Só aqueles que se recusam a dar frutos diante da graça de Jesus Cristo é que são condenados, os que se aferram ao pecado e dele não querem se libertar nem fazer penitência.

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