sexta-feira, 11 de setembro de 2009

24.º Domingo Comum

24.º Domingo do Tempo Comum – Ano B – 2009

Isaias 50,5-9a – Salmo 114 – Tiago 2,14-18 – Marcos 8,27-35

A Leitura do Livro de Isaias sublinha a absoluta liberdade com que Jesus Cristo se expõe à Paixão, fazendo a vontade salvadora do Pai. O sofrimento é um teste para sabermos se amamos a Deus. O sofrimento é como um questionamento ao amor de Deus. Se Deus ama essa pessoa, por que ela sofre? Agora, se a pessoa que sofre diz: “mesmo sofrendo eu creio no amor do Pai e espero n’Ele”, ela derrota aquele que produziu o sofrimento humano, o demônio ou satanás. Foi o que aconteceu com Jesus Cristo. No meio das torturas que o levaram à morte, seus adversários diziam: “Ele salvou a outros e não pode salvar-se a si mesmo! Se é rei de Israel, desça agora da cruz e nós creremos nele!” (Mt 27,42). Se Jesus descesse da Cruz, não teria nos salvado e continuaria mortal. É o drama que pensa salvar-se a si mesmo. Só Deus pode dar a vida eterna à pessoa humana, como deu esta vida mortal. Jesus então nada faz para salvar-se, mas entrega-se à morte, esperando que Aquele que lhe deu a natureza humana no ventre de Maria Santíssima Lhe daria também a ressurreição e a vida gloriosa. Por isso diz-se na Leitura: “o Senhor Deus é o meu Auxiliador; quem é que me vai condenar?”; eu confiei na Sua Providência e Ele, que é Fiel, me dará a vida eterna.

A Leitura da Carta de São Tiago mostra que a fé opera pela caridade (Gl 5,6). Uma fé sem caridade é mera admissão psicológica de alguns eventos sobre Jesus Cristo, mas não é inserção no Seu Mistério e de nada vale. A fé de que se fala no Novo Testamento é sempre uma semelhança de comportamento com Jesus Cristo, que renunciou a si mesmo para que nós tivéssemos a vida eterna. O cristão pode não ser capaz de dar vida eterna aos outros, mas pode renunciar aos bens desta vida e proporcionar-lhes ao seu próximo, sem discriminações e sem considerações de mérito, pois Deus se nos tratasse segundo os nossos méritos, ninguém seria salvo. Ter fé é renunciar a si mesmo como Jesus Cristo fez em relação a nós. Ele renunciou a si mesmo para que nós tivéssemos salvação, e assim fazendo nos fez membros de Seu Corpo, ou seja Ele vive em nós. Ter fé é renunciar a si mesmo e proporcionar os bens que recebemos de graça de Deus e assim como que vivemos no nosso irmão.

O Evangelho nos traz a confissão de fé de São Pedro. E a revelação do tipo de salvação que Jesus viria trazer para a humanidade. Ele não veio como um rei poderoso, por que os verdadeiros inimigos da pessoa humana não são outras pessoas humanas, mas o diabo ou satanás. E esse é derrotado quando a pessoa humana, no meio dos sofrimentos, que são a conseqüência do pecado espera no amor de Deus e nunca descrê de Deus. Jesus Cristo, então ensina essa senda de salvação. Não são as seguranças materiais desta vida que nos salvam, mas a auto-doação de nós mesmos, pois Deus é Amor e é Santíssima Trindade. Na Trindade cada Pessoa renuncia a si mesmo e como que vive na outra Pessoa. O Pai renuncia a Si mesmo e vive no Filho. O Filho renuncia a Si mesmo e vive no Pai. O Espírito Santo é o Espírito que procede do Pai e do Filho e é derramado sobre nós para que também nós tenhamos a vida divina. Se repararmos, Jesus Cristo nos tratou da mesma maneira com que trata o Pai. Ele não se amou. Ao contrário, Ele se imolou para nos amar e nos dar vida plena e divina. Assim como Ele renuncia a si mesmo para viver no Pai, renunciou a Si mesmo para viver em nós e formar conosco uma unidade, que é o Seu Corpo Místico. Se Jesus Cristo vive em nós ter fé é viver segundo o Mistério da Santíssima Trindade, e só vivendo assim seremos semelhantes a Deus e viveremos a vida divina eternamente.

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