terça-feira, 24 de novembro de 2009

1.º Domingo do Advento

Primeiro Domingo do Advento – Ano C – 2010

Jeremias 33,14-16 – Salmo 24 – Primeira aos Tessalonicenses 3,12-4,2 – Lucas 21,25-28.34-36

Começa hoje um novo Ano Litúrgico, Ano C. O Ano Litúrgico começa com o Tempo do Advento. O Tempo do Advento é conhecido como uma preparação para o Natal. Na verdade, porém, não é tanto uma preparação para o Natal, mas para a Segunda Vinda do Senhor, que pode se dar a qualquer momento. O Natal é uma recordação de como Deus foi fiel às promessas feitas aos profetas e enviou o Salvador. Assim Deus será também fiel e o Senhor virá para julgar os vivos e os mortos, como dizemos no Credo.

A Leitura do Profeta Jeremias nos mostra que Deus dará bens eternos a Israel e Judá. Aqui Israel e Judá simbolizam a Igreja de Jesus Cristo. Tais bens eternos foram conseguidos por Jesus Cristo, “a semente da justiça que fará valer a lei e a justiça na terra” (Jeremias 33,15). Jesus Cristo é a nossa Justiça (cf. Jeremias 33,16) pois restaurou as coisas como eram antes do pecado original, quando a pessoa humana vivia exclusivamente da graça de Deus e não das criaturas ou dos frutos do seu trabalho. Daí é que vem que o Reino de Deus pertence aos pobres (cf. Mt 5,3), pois estes se fazem dependentes de Deus, ao passo que os ricos se apóiam nas suas riquezas (criaturas) que não podem, como Deus, dar vida eterna a ninguém.

O salmo 24 responde à Leitura de Jeremias, pedindo a Deus a sabedoria para discernir os caminhos do Senhor e O louva por seus caminhos serem de amor e de verdade e por ter misericórdia dos pecadores arrependidos dos seus pecados.

A Primeira Carta aos Tessalonicenses exorta ao amor e à santidade de vida para o dia da vinda do Senhor que vem para julgar. E lembrando o ensinamento dos Apóstolos de como as pessoas devem viver para agradar a Deus. E exorta a progressos ainda maiores!

O Evangelho de São Lucas nos lembra que as últimas realidades a acontecerem antes da vinda do Senhor serão apavorantes para os que não tiverem a paz de Jesus Cristo. Para os bons cristãos será uma hora de vitória pois a sua libertação (da tentação, do pecado) estará próxima. E dá algumas recomendações para se preparar para a segunda vinda do Senhor: não se deixar levar pelos prazeres da carne (gula, embriaguez) e nem pelas preocupações da vida (dinheiro, segurança pessoal...). Recomenda também a oração constante para viver esses últimos momentos em comunhão com Deus e fazendo somente a Sua Vontade, a fim de não se aterrorizar com a vinda de Jesus Cristo.

Como conclusão, o que devemos viver é o Evangelho e viver o Evangelho é viver cada vez mais dependente só de Deus e cada vez menos das criaturas, não temendo a nenhum acontecimento, mas temendo somente se separar de Deus pela própria fraqueza. A oração não é só vocal, mas mental, para compreender todo o mistério de Jesus Cristo, como Maria Santíssima fazia (Lucas 2,19.51). Uma excelente conclusão para este primeiro domingo do Advento é o próprio cântico de Maria em Lucas:

E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor,

meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador,

porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações,

porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.

Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem.

Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos.

Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes.

Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos.

Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,

conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre” (Lucas 1,46-55).

A humildade de Maria que comoveu a Deus é conseqüência de sua Imaculada Conceição. Ela é a cheia de graça, porque não se apossa de nada que lhe deu o Senhor Deus. Tudo nela continua a ser plenamente de Deus, em total disponibilidade para Deus. Por isso ela pode dizer: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lucas 1,38).

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

34.º Domingo Comum

34.º Domingo do Tempo Comum – Ano B – 2009

Nosso senhor jesus cristo, rei do universo

Daniel 7,13-14 – Salmo 92 – Apocalipse 1,5-8 – João 18,33b-37

Com este domingo iniciamos a última semana do Ano Litúrgico. Contemplamos Jesus Cristo, sentado à direita do Pai e que virá para julgar os vivos e os mortos. Quando Deus criou o homem e a mulher os fez à Sua Imagem para serem seus representantes no mundo visível, reis do mundo visível. Pelo pecado eles perderam essa condição real e a entregaram a satanás. Por isso diz a Primeira Carta de São João 5,19: “Sabemos que somos de Deus, e que o mundo todo jaz sob o Maligno” (1Jo 5,19). Jão se faz carente de Jesus Cristo, por sua paixão e morte recupera o reinado do homem sobre a natureza. Por que Ele não se faz carente de nenhum bem da natureza, nem das pessoas. Jesus Cristo só depende do Pai para viver. Assim tem poder sobre tudo pois não precisa de nada para viver: só do Pai. Quem precisa de algo não sabe se possui esse algo ou se esse algo o possui. As paixões humanas nos escravizam.

A leitura da Profecia de Daniel traduz essa realeza de Jesus Cristo recuperada em favor do homem. E o Salmo também celebra a mesma coisa. A leitura do Apocalipse já acrescenta algo a mais: Jesus é a testemunha fiel do Pai, o primeiro a ressuscitar de entre os mortos, o soberano dos reis da terra (Apocalipse 10,5). Fez de nós um reino e sacerdotes para Deus, seu Pai (Apocalipse 10,6). Somos sacerdotes com Jesus Cristo na medida em que participamos de sua Cruz e de sua Paixão. Ele é o Alfa e o Ômega (Apocalipse 10,8), o começo e o fim de todas as coisas, todas as coisas são por ele e para ele.

No Evangelho de São João, Jesus relaciona o seu reino, que não é deste mundo com a Verdade. Por que? Jesus diz que veio dar testemunho da Verdade. “Quem é da Verdade escuta a Sua Voz” (João 18,37). Que Verdade é essa? Antes do pecado de Adão e Eva eles viviam a Verdade. Eles não viviam dos frutos das árvores do Paraíso, mas de Deus que era o doador de todos os bens. São João Batista recorda a mesma Verdade: “João replicou: Ninguém pode atribuir-se a si mesmo senão o que lhe foi dado do céu” (Jo 3,27). Então a criatura, toda criatura vive, na Verdade, do Criador, a Fonte de todos os bens. Só Ele pode dar vida eterna, como deu esta vida mortal às suas criaturas humanas. O pecado consiste em crer que a nossa segurança está nas criaturas, no poder, no dinheiro, na fama e nos aplausos, no sucesso que fazemos diante dos outros. Tudo isso é vaidade. “Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade” (Eclesiastes 1,2). Nada disso serve para dar vida eterna a nenhuma pessoa humana. Jesus Cristo vive a Verdade, pois, como já dissemos vive somente do Pai, sem se fazer carente de nenhuma criatura humana. A Vida brota do Pai e de mais ninguém, de nenhuma criatura. Mesmo que morrêssemos de fome, por fidelidade a Deus, Ele nos ressuscitará. Esta é a grande Verdade bíblica: o pecado está em confiar nas criaturas como sustentação da nossa existência. Devemos nos apoiar só em Deus. “Só Deus basta!” já dizia Santa Teresa de Jesus. E São Luís Maria Grignion de Montfort também tinha um mote que dizia: “Deus só”. Reinamos com Jesus Cristo na medida em que somos livres das criaturas como nosso sustento e nos apoiamos só em Deus. Por esta razão São Francisco de Assis dava tanta importância à pobreza de bens. Queria apoiar-se em “Deus só!”.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

33.º Domingo Comum

33.º Domingo do Tempo Comum – Ano B – 2009

Daniel 12,1-3 – Salmo 15 – Hebreus 10,11-14.18 – Marcos 13,24-32

O mês de novembro tem uma liturgia toda voltada para os últimos acontecimentos, a segunda vinda de Jesus Cristo e os sinais que a precederão. O Evangelho fala de uma grande tribulação. O Livro de Daniel fala que se levantará Miguel. São Miguel Arcanjo é o anjo que se opõe a satanás, que age sabendo que lhe resta pouco tempo. “Por isso alegrai-vos, ó céus, e todos que aí habitais. Mas, ó terra e mar, cuidado! Porque o Demônio desceu para vós, cheio de grande ira, sabendo que pouco tempo lhe resta” (Ap 12,12). Este tempo de tribulação, diz o Livro de Daniel “será um tempo de angústia, como nunca houve até então” (Daniel 12,1). “Em verdade vos digo, esta geração não passará até que tudo isto aconteça” (Marcos 13,30). Isto porque os “muitos dos que dormem no pó da terra, despertarão, uns para a vida eterna” (Daniel 12,2). Este mistério começa com a Ressurreição de Jesus Cristo mesmo, que se passa durante a geração dos seus contemporâneos. O texto também fala que se uns despertarão para a vida eterna, outros despertarão “para o opróbrio eterno” (Daniel 12,2). Não nos é lícito duvidar da existência do inferno. O inferno não é um vestibular, ao qual Deus dará um auxílio pra que todos passem. É mais um casamento. Deus ama a todos, mas não é amado por todos. Há até quem negue a sua existência e fuja d’Ele intencionalmente, preferindo fazer o mal. O Livro de Daniel continua: “os que tiverem sido sábios brilharão como o firmamento” (Daniel 12,3). Não é o sacramento que nos salva, mas a Sabedoria do nosso viver, a conformidade da nossa vontade com a vontade de Deus. Todos devemos buscar a Sabedoria que é o maior dom do Espírito Santo. O princípio da Sabedoria é o temor de Deus, que é mais um temor da própria fraqueza da pessoa humana que a leva a pecar contra Aquele que é a sua salvação.

O Evangelho diz que “as estrelas começarão a cair do céu” (Marcos 13,25). Isto só pode ser uma imagem, pois as estrelas são muito maiores que a terra e não haveria espaço para tantas estrelas. Diz também que “o sol vai escurecer e a lua não brilhará mais” (Marcos 13,24). Isto pode referir-se à bancarrota do projeto da inteligência do homem, que será incapaz de trazer vida eterna a si mesmo, produzindo uma grande poluição e morte. Quando o projeto humano falir, Jesus mostrar-se-á como a salvação do gênero humano. “Quando os homens disserem: Paz e segurança!, então repentinamente lhes sobrevirá a destruição, como as dores à mulher grávida. E não escaparão” (1Ts 5,3). Jesus enviará seus anjos a toda a terra para reunir os eleitos de Deus (Marcos 13,27). Será o tempo de separar os peixes bons dos maus (“O Reino dos céus é semelhante ainda a uma rede que, jogada ao mar, recolhe peixes de toda espécie. Quando está repleta, os pescadores puxam-na para a praia, sentam-se e separam nos cestos o que é bom e jogam fora o que não presta. Assim será no fim do mundo: os anjos virão separar os maus do meio dos justos e os arrojarão na fornalha, onde haverá choro e ranger de dentes” (Mateus 13,47-50)) e de separar o joio do trigo (“Jesus propôs-lhes outra parábola: O Reino dos céus é semelhante a um homem que tinha semeado boa semente em seu campo. Na hora, porém, em que os homens repousavam, veio o seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e partiu. O trigo cresceu e deu fruto, mas apareceu também o joio. Os servidores do pai de família vieram e disseram-lhe: - Senhor, não semeaste bom trigo em teu campo? Donde vem, pois, o joio? Disse-lhes ele: - Foi um inimigo que fez isto! Replicaram-lhe: - Queres que vamos e o arranquemos? - Não, disse ele; arrancando o joio, arriscais a tirar também o trigo. Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos ceifadores: arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar. Recolhei depois o trigo no meu celeiro” (Mateus 13,24-30)). O Evangelho diz também: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão” (Marcos 13,31). As verdades científicas da inteligência humana, da física, da química e da biologia passarão, mas a verdade do Evangelho não passará jamais. E esta verdade é bastante simples: Deus é o Criador do homem e ninguém pode dar vida eterna a si mesmo. A inteligência humana com todas as suas maravilhas e o seu orgulho não pode dar vida eterna ao homem pois a vida é fruto do amor. A ciência humana acabará por produzir mais morte do que vida, que é o que já presenciamos, por falta de amor. Este é também o nexo da morte de Jesus Cristo na Cruz. Jesus mostrou muito poder fazendo muitos milagres e mostrou também muita sabedoria em seus ensinamentos. Mas nos salvou quando estava imóvel na Cruz. Sofreu a tentação: “A multidão conservava-se lá e observava. Os príncipes dos sacerdotes escarneciam de Jesus, dizendo: Salvou a outros, que se salve a si próprio, se é o Cristo, o escolhido de Deus!” (Lc 23,35). Jesus vive a Verdade, mais Ele mesmo é a Verdade. Na sua imobilidade, nada faz para se salvar. SE descesse da Cruz continuaria mortal. Ao morrer esperando no Pai Celestial, Este O Ressuscita, dando uma Vida Imortal. Assim, o principal é a fé em Deus, a esperança e a caridade que nos unem a Deus e nos fazem esperar em Deus que, tendo-nos dado a vida mortal é o Único que pode nos dar a Vida Imortal.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

32.º Domingo Comum

32.º Domingo do Tempo Comum – Ano B – 2009

1Reis 17,10-16 – Salmo 145 – Hebreus 9,24-28 – Marcos 12,38-44

A Palavra de Deus de hoje traz a mesma perspectiva da Segunda Vinda de Jesus que esperamos. O objetivo de Jesus com seu ensinamento é que nos tornemos absolutamente dependentes de Deus, como Adão e Eva no Paraíso, antes do pecado original. A partir do pecado original Adão e Eva, e com eles todo o gênero humano trocaram a confiança em Deus pela confiança nas criaturas e pelo orgulho. Por isso Jesus ensina que os pobres e os últimos, os mais carentes serão os primeiros. “Muitos dos primeiros serão os últimos e muitos dos últimos serão os primeiros” (Mt 19,30; 20,16; Mc 10,31; Lc 13,30). “Então ele ergueu os olhos para os seus discípulos e disse: Bem-aventurados vós que sois pobres, porque vosso é o Reino de Deus!” (Lc 6,20). Quanto mais meios fora de Deus a pessoa possui maior a probabilidade de confiar nesses meios e não confiar em Deus. Os meios criados a pessoa vê, Deus ela não vê. Por isso Jesus diz que o seu discípulo deve se desfazer dos bens para segui-lo. “Respondeu Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me!” (Mt 19,21).

Na Leitura do Primeiro Livro dos Reis, a mulher é convidada por Elias a crer na palavra de Deus e colocar-se sob a proteção de Deus. Ela obedece e Deus mostra sua fidelidade. A mulher alimentou primeiro Elias e depois ela mesma e seu filho – que esperavam a morte. Pela caridade da mulher Deus deu-lhe meios de vida.

No Evangelho, Jesus censura a vaidade dos doutores da Lei, que gostavam de andar com roupas vistosas e serem o centro das atenções, cheios de sua posição social, bem longe dos pobres, que dependem de Deus. Os doutores da Lei eram cheios de si mesmos e de sua própria importância. E diz: “Por isso eles receberão a pior condenação” (Marcos 12,40). Depois observa os que dão esmolas. Os ricos davam do que lhes sobrava, apoiando-se em seu próprio dinheiro. A pobre viúva deu o que lhe faltava, numa mostra de confiança em Deus. Por esta razão ela é louvada por Jesus e Jesus diz dela: “Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver” (Marcos 12,44). Portanto ela deu mais do que todos, pois a sua oferta foi um ato de confiança em Deus.

O princípio básico que norteia estas leituras é que esquecemos que por mais saúde, mais inteligência, força física, fama e fortuna que tenhamos, nada disso nos deu a vida e nada disso nos dará a vida eterna. Somos absolutamente dependentes de Deus e só Ele poderá salvar-nos para a vida eterna. Não ponhamos nossa alegria nem nossa confiança na fama, na fortuna e nem em nossas capacidades e habilidades pois estas não nos darão vida eterna. Façamo-nos absolutamente dependentes de Deus. Esta doutrina está no centro da mensagem do Evangelho de Jesus Cristo.