sexta-feira, 7 de agosto de 2009

19.º Domingo Comum

19.º Domingo do Tempo Comum – Ano B – 2009

Primeiro Livro dos Reis 19,4-8 – Salmo 33 – Efésios 4,30–5,2 – João 6,41-51

Na Leitura do Primeiro Livro dos Reis encontramos Elias desanimado e pedindo a morte. Mas Deus tem outros planos para Elias. Ele deve dar testemunho de Javé. E Deus o conduz ao Horeb, o mesmo que o Sinai, o monte onde foi celebrada a Aliança por meio de Moisés.
No Evangelho, os contemporâneos de Jesus não compreendem que, se conhecem os pais de Jesus - Ele era tido como filho natural de José - como diz Jesus que desceu do Céu. Não podiam ainda entender, como nós, a Encarnação da Palavra de Deus, do Verbo Divino, do Lógos.
O centro da Palavra deste domingo é “Ninguém pode vir a Mim se o Pai que me enviou não o atrai” (Jo 6,44). Isto está diretamente ligado ao Primeiro Mandamento da Lei de Deus, que diz que Deus deve ser amado com todas as potências da alma do homem. “Mestre, qual é o maior mandamento da lei? Respondeu Jesus: Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito (Dt 6,5)” (Mt 22,36-37). Isto é, nenhum ídolo, nenhuma criatura poderá ser mais amada do que Deus, nosso Criador. Se o nosso coração está voltado para as criaturas e elas tomam no nosso coração o primeiro lugar, que é devido só a Deus, não seremos capazes de perceber em Jesus Cristo o Enviado pelo Pai. E não “iremos a Ele” (Jo 6,44) ou seja, não daremos nossa vida como Ele deu a Sua. Não perceberemos a essência do Evangelho, que é tornarmo-nos semelhantes a Deus por um amor que é o dom total de nós mesmos. Somos imitadores de Deus (Ef 5,1). E Jesus não viverá em nós. Não será Ele o nosso alimento e a razão de toda nossa esperança. Alimentar-se de Jesus não é só receber a hóstia consagrada, mas viver d’Ele, esperar n’Ele e descansar o nosso espírito n’Ele, e como Ele, dando a nossa vida “em oblação e sacrifício de suave odor” (Ef 5,2).
Por esta razão também, São Paulo, no trecho da Carta aos Efésios lido hoje, nos diz para não contristarmos o Espírito de Deus, com o qual fomos marcados como com um selo para o dia da libertação. Contristar o Espírito de Deus é não recebê-lO, é não se tornar semelhante a Jesus Cristo, com o qual Ele nos une em um só corpo. O amor de Deus, a dependência do nosso ser só a Deus, e a libertação da dependência às criaturas é que nos liberta. As criaturas nos escravizam porque passam e o medo de perdê-las nos atemoriza. Todas as criaturas passam. Mas Deus não passa. A dependência de Deus tira até o nosso temor da morte, pois sabemos que Ele nos dá vida eterna. Por isso, São Paulo nos convida a abandonar “toda amargura, irritação, cólera, gritaria, injúrias, e toda maldade” (Ef 4,31) que são manifestações contrárias à Paz de Jesus Cristo e sinais de que se ama mais às criaturas do que a Deus. Se amarmos mesmo mais a Deus do que a todas essas coisas somos atraídos por Deus e escutamos o Pai e vamos a Jesus e temos a sua Paz. Essas atitudes serão banidas do nosso comportamento naturalmente. E viveremos no amor à semelhança de Jesus Cristo, dando a nossa vida pelos nossos irmãos (cf. Ef 5,2).
Na leitura do Primeiro Livro dos Reis, a figura de Elias nos anima, pois sabemos que Elias é um dos maiores profetas do Antigo Testamento e teve, também ele, momentos de fraqueza e desânimo. Deus, porém, o conduz, pois Elias se deixa atrair por Deus, que era a razão de sua vida. Elias se alimentou do Deus verdadeiro. Se às vezes desanimamos diante das cruzes de nossa existência, como Elias, nunca Deus deixe de atrair-nos a Si. Nunca amemos mais as criaturas do que a Deus. E ouçamos o seu anjo a nos dizer: “Levanta-te e come! Ainda tens um longo caminho a percorrer” (1Rs 19,7).
Seja a Verdade Eterna – Jesus Cristo é a Verdade – a alimentar de sentido e razões a nossa vida e a nossa morte. Só assim as nossas comunhões eucarísticas serão verdadeiras. Jesus Cristo é a Vida da nossa vida! Só Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida! (Jo 14,6).

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