sexta-feira, 7 de agosto de 2009

18.º Domingo Comum

18.º Domingo do Tempo Comum – Ano B – 2009

Êxodo 16,2-4.12-15 – Salmo 77 – Efésios 4,17.20-24 – João 6,24-35

Na Leitura do Livro do Êxodo temos um exemplo do povo de Israel que não sabe o que quer. Quando estava no Egito clamava a Deus por libertação da escravidão. Deus ouviu o clamor do seu povo e o libertou. “O Senhor disse (a Moisés): ‘Eu vi, eu vi a aflição de meu povo que está no Egito, e ouvi os seus clamores por causa de seus opressores. Sim, eu conheço seus sofrimentos. E desci para livrá-lo da mão dos egípcios e para fazê-lo subir do Egito para uma terra fértil e espaçosa, uma terra que mana leite e mel, lá onde habitam os cananeus, os hiteus, os amorreus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus’” (Ex 3,7-8). Agora, porém, atravessando o deserto rumo à terra fértil não aceita os sacrifícios da caminhada e deseja voltar para a escravidão e exagera como se quando eram escravos teriam comida em abundância, “panelas de carne e comíamos pão com fartura” (Ex 16,3). Quando temos um sofrimento e recordamos uma situação em que aquele sofrimento não era tão agudo costumamos exagerar como se tudo fosse ótimo na situação anterior. Deus, que cuida do seu povo, proporciona a eles as codornizes (carne) e o maná (o pão; em hebraico, maná significa ‘Que é isto?’).
No Evangelho, Jesus nega que o maná é o verdadeiro pão do Céu. A pessoa humana foi criada à imagem de Deus, que é Espírito, é espiritual também e o Pão descido do Céu, que o Pai dá é um pão espiritual. O maná era apenas um alimento corporal. Jesus diz que é Ele mesmo o Pão do Céu que o Pai Eterno nos dá (cf. Jo 6,35).
Jesus diz ao povo que O procurava não por causa de sinais do Céu, mas porque comeram o pão do corpo e ficaram saciados, que procurem o pão que permanece para a vida eterna (cf. Jo 6,27). E promete dar esse pão que permanece para a vida eterna, porque o Pai o marcou com o seu selo. O selo do Pai é o Espírito Santo, que realiza a nossa unidade com Deus pela união de vida com Jesus Cristo. Perguntam o que devem fazer para realizar as obras de Deus. Jesus responde que a obra de Deus é que creiam nAquele que Deus enviou, que é o próprio Jesus. Crer em Jesus é não somente admitir que Ele é o Filho de Deus e da Virgem Maria, que Ele padeceu e morreu na Cruz e depois, ao terceiro dia, ressuscitou e subiu ao Céu onde está à direita do Pai e de onde virá a julgar os vivos e os mortos. Crer em Jesus é acreditar que um motivo para viver, é também um motivo para morrer. Isto é que dá sentido às nossas vidas. É o alimento espiritual que Ele nos dá. Um grande amor pelo qual vale a pena dar a vida. Perguntemo-nos a nós mesmos: temos um grande amor divino pelo qual queiramos morrer como Jesus morreu consumido de amor pelo Pai e por nós? A nossa vida já tem um sentido cristão? Um cristão não vive porque um dia nasceu e os dias foram se sucedendo... Um cristão vive na esperança de um grande encontro com o seu Criador Divino, que se dá numa morte por amor, numa vida que recebida de graça é dada também de graça (cf. Mt 10,8c). Jesus dá um sentido à nossa vida porque dá um sentido para a nossa morte. Faz da morte uma doação total de si mesmo, que nos diviniza, porque significa a doação total de nós mesmos, por amor, e Deus é Amor (1Jo 4,8.16).
Portanto, na Carta aos Efésios, São Paulo exorta a que não continuemos a viver como os pagãos, “cuja inteligência os leva para o nada”. Os pagãos vivem na carne e para a carne. O cristão nasceu do Espírito. “Havia um homem entre os fariseus, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus. Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe: Rabi, sabemos que és um Mestre vindo de Deus. Ninguém pode fazer esses milagres que fazes, se Deus não estiver com ele. Jesus replicou-lhe: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus. Nicodemos perguntou-lhe: Como pode um homem renascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda vez? Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus. O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito. Não te maravilhes de que eu te tenha dito: Necessário vos é nascer de novo. O vento sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito” (Jo 3,1-8).
O pagão vive para a carne e se preocupa com o bem estar da carne, do corpo. Não tem um motivo para dar sua vida, não vive do Espírito e não tem esperança de vida eterna na comunhão divina, não crê na divinização da natureza humana.

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