segunda-feira, 19 de outubro de 2009

30.º Domingo Comum

30.º Domingo do Tempo Comum – Ano B – 2009

Jeremias 31,7-9 – Salmo 125 – Hebreus 5,1-6 – Marcos 10,46-52

A Prece antes das Leituras muitas vezes orienta o sentido que se deve tirar das Leituras. No dia de hoje diz: “Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e daí-npos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis”. A fé é aceitar que Deus é veraz em suas revelações. Não duvidar delas. Adão e Eva, no Paraíso, aceitaram a palavra do demônio dizendo que Deus era mentiroso e comeram do fruto da árvore do bem e do mal que Deus havia proibido a eles de comer sob pena de morte. Não acreditaram em Deus para acreditar no demônio. Isto foi o começo do seu pecado. A esperança é a certeza de que o amor de Deus prevalecerá sobre os que Deus ama. Que os sofrimentos deste mundo terão um término e virá depois a vida bem-aventurada. A caridade é a situação final da pessoa humana em relação a Deus. Quando não houver mais necessidade de fé, porque o que foi revelado será manifestado, não houver mais necessidade de esperança porque o que se esperou já foi recebido, permanecerá a caridade, o amor eterno entre Deus e sua criatura. “A caridade jamais acabará. As profecias desaparecerão, o dom das línguas cessará, o dom da ciência findará. A nossa ciência é parcial, a nossa profecia é imperfeita. Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança. Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido. Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade” (Primeira Carta aos Coríntios 13,8-13). A fé, a esperança e a caridade levam a obedecer a Deus na “porta estreita” desta vida para alcançar a vida bem-aventurada, que Deus promete aos fiéis.
Desta forma o tema central das leituras de hoje pode ser a diferença entre a miséria das pessoas nesta vida mortal e a esperança da vida bem-aventurada, sem misérias. “Anseio pelo conhecimento de Cristo e do poder da sua Ressurreição, pela participação em seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na morte, com a esperança de conseguir a ressurreição dentre os mortos. Não pretendo dizer que já alcancei (esta meta) e que cheguei à perfeição. Não. Mas eu me empenho em conquistá-la, uma vez que também eu fui conquistado por Jesus Cristo. Consciente de não tê-la ainda conquistado, só procuro isto: prescindindo do passado e atirando-me ao que resta para a frente, persigo o alvo, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em Jesus Cristo” (Filipenses 3,10-14). Como se pode perceber, para São Paulo, o conhecimento de Jesus Cristo é uma experiência da paz no sofrimento totalmente baseada na esperança. É a experiência do Reino de Deus que se manifesta na parábola da semente: “Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto” (Jo 12,24).
Na Leitura do Livro de Jeremias a “primeira das nações” revela toda a sua miséria: cegos e aleijados, mulheres grávidas e parturientes (mulheres que sofrem dor). E Deus promete um alívio para essas misérias, no retorno a Jerusalém terrestre, pois se faz um pai para Israel. O Salmo antecipa a alegria das maravilhas que o Senhor fará pelos seus fiéis com seu canto.
A Leitura da Carta aos Hebreus mostra que todos os bens, até o sacerdócio de Jesus Cristo é graça do Pai e tudo que a pessoa humana tem é recebido por graça divina.
O Evangelho finalmente mostra que a determinação do sofredor na fé em Jesus Cristo o leva ao alívio de suas dores. Nessa determinação o cego chega a dar um pulo, o que é raro ver um cego fazer. Este pulo simboliza o ato de fé que é um pulo no desconhecido pela pessoa humana e um ato de confiança em Deus. Jesus lhe diz: “Vai, a tua fé te curou” (Mc 10,52). O ato de fé é um ato de total confiança em Deus que Se revela. O ato de fé é um ato que atesta que Deus é verdadeiro e que empenha toda a vida daquele que tem fé. Tudo o que faz é confiado na Revelação que Deus lhe fez.

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