quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Todos os Santos

31.º Domingo do Tempo Comum – Ano B – 2009

Apocalipse 7,2-4.9-14 – Salmo 23 – Primeira Carta de São João 3,1-3 – Mateus 5,1-12ª

Todos os Santos

A Festa de Todos os Santos inaugura o mês de novembro. É o último mês do Tempo Comum. Neste mês a Igreja reflete sobre as realidades futuras, que se chamam Novíssimos do Homem. Medita sobre o destino de todas as pessoas que deve ser o Céu ou o Inferno. A Festa de Todos os Santos não é a festa dos santos já canonizados, mas a de todos quantos estão ou estarão no Céu, vivendo a vida em comunhão com a Santíssima Trindade. Nesta festa a Igreja se vê antecipadamente participando da glória de Deus. Por isso, a leitura do Apocalipse nos faz contemplar “uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do Trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas (vestes nupciais) e traziam palmas nas mãos (simbolizando a Cruz que portaram na terra)” (Apocalipse 7,9). “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram suas roupas no Sangue do Cordeiro” (Apocalipse 7,14). O Salmo os saúda: “É assim a geração dos que procuram o Senhor” (Salmo 23,6).

A Leitura da Carta de São João nos dá o título de filhos de Deus. Na verdade Deus só tem um Filho, que é Jesus Cristo, a Palavra ou a Sabedoria Encarnada. Nós somos chamados filhos de Deus por causa da nossa união ao Filho Unigênito de Deus, pelo Espírito Santo. Por esta razão esta Leitura diz: “Sabemos que, quando Jesus se manifestar seremos semelhantes a Ele porque o veremos como Ele é” (Primeira Carta de São João 3,2). Na Eternidade não há separação entre Jesus e os que Ele uniu a Ele. Não se deve dizer: “depois de Deus, eu amo mais a Virgem Maria”, pois esta já está plenamente na comunhão com Deus. Não há mais separação. Quando dizemos “Virgem Maria, rogai por nós” estamos dizendo “Jesus, que vives em Maria, intercedei por nós!”. “Eis por que Cristo entrou, não em santuário feito por mãos de homens, que fosse apenas figura do santuário verdadeiro, mas no próprio céu, para agora se apresentar intercessor nosso ante a face de Deus” (Hb 9,24). “Filhinhos meus, isto vos escrevo para que não pequeis. Mas, se alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1Jo 2,1). Jesus é o Intercessor. Cada um de nós só pode interceder pelos irmãos – e mesmo os santos – pela comunhão com Jesus Cristo.

Finalmente temos o Evangelho. Traz as bem-aventuranças como estão no Evangelho de São Mateus. Os pobres em espírito são os que se sentem pobres, mesmo tendo muitas graças e coisas, porque anseiam acima de tudo possuir Deus e não O possuindo ainda nesta terra, sentem-se pobres. Deles é o Reino de Deus porque amam a Deus acima de tudo. Os aflitos são os que desejam Deus e passam por tribulações nesta vida, participando da Cruz do Senhor, sendo cordeiros de Deus com Ele. Serão consolados porque Deus se revelará a eles e o seu sacrifício não será em vão. Os mansos são os que não conquistam as coisas por sua própria força, mas tudo recebem por graça de Deus, como a Terra Prometida foi dada a Israel por Deus e não pela valentia dos israelitas. “João replicou: Ninguém pode atribuir-se a si mesmo senão o que lhe foi dado do céu” (João 3,27). Possuirão a terra porque Deus dará a Terra Nova aos que vivem da sua graça e não pela sua própria força. Os que tem fome e sede de justiça são os que desejam que o nome de Deus seja santificado e glorificado, como rezamos no Pai-Nosso e no Magnificat de Nossa Senhora. Esta é a justiça do Evangelhos: ser justos para com Deus e dar a primazia em tudo a Ele. Tudo o que recebemos de Deus não é para nós para ser distribuído com os próximos. Assim a misericórdia que recebemos de Deus nos deve fazer misericordiosos com os nossos próximos, e se assim formos o Senhor sempre terá misericórdia de nós. Os que promovem a paz são os que renunciam a si mesmos para amar até os inimigos, como Jesus diz no mesmo Sermão: “Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito” (Mateus 5,44-48). O filho é aquele que se parece com o Pai e faz as obras do Pai. Os que são perseguidos por causa da justiça são os que são perseguidos por causa da pregação do Evangelho que nos faz ser justos para com Deus. Estes participam diretamente da Cruz do Senhor Jesus. São muitos mártires, “que alvejaram suas vestes no Sangue do Cordeiro” (Apocalipse 7,14). Estes são também os injuriados e perseguidos por causa do Evangelho. Terão a participação nos bens do Senhor Jesus, em sua Ressurreição. A alegria na dor é o grande paradoxo do cristão, pela esperança que o anima. “Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos Céus” (Mateus 5,12a).

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