quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

2.º Domingo do Advento

segundo Domingo do Advento – Ano C – 2010

Baruc 5,1-9 – Salmo 125 – Carta aos Filipenses 1,4-6.8-11 – Lucas 3,1-6

A própria Encarnação, na primeira vinda do Filho de Deus, está endereçada para o Reino definitivo, que só virá plenamente na segunda vinda do Filho de Deus. Daí a pregação inicial de Jesus: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho” (Mc 1,15). O Reino de Deus próximo é o julgamento de todas as pessoas humanas para se revelar quem acolheu o Reino de Deus e viveu d’Ele e quem viveu só a partir das criaturas que não podem dar vida eterna. A pregação dos Apóstolos também é a proximidade do Reino de Deus: “Curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: O Reino de Deus está próximo (...) Até o pó que se nos pegou da vossa cidade, sacudimos contra vós; sabei, contudo, que o Reino de Deus está próximo” (Lc 10,9.11). A segunda vinda de Jesus Cristo e o advento do Reino definitivo de Deus, que vence o poder do pecado, estão inseridos fortemente na pregação dos discípulos de Jesus Cristo. Todos devem se preparar para a vinda de Jesus, que como rezamos no Credo “virá para julgar os vivos e os mortos”. Este é um elemento central da pregação cristã, que não pode ser esquecido nem omitido.

Na leitura da Profecia de Baruc, tanto Jerusalém como Israel referem-se à Igreja de Jesus Cristo, formada por gente de todos os povos do mundo e não de um só povo. Despir a veste de luto é passar para uma realidade onde a morte não existe mais. Os eleitos de Deus “brilharão como o Sol no Reino de seu Pai” (Mt 13,43). A Justiça em relação a Deus provocará a Paz e a Piedade, que é comunicação com Deus, será participação na sua glória. A Cruz de Jesus Cristo está presente neste texto quando se diz: “Saíram de Ti, caminhando a pé, levados pelos inimigos; Deus os devolve a Ti, conduzidos com honras, como príncipes reais” (Baruc 5,8). Toda essa leitura é uma promessa de felicidade eterna para os que forem fiéis a Deus, durante seu sofrimento nesta terra. O salmo é uma resposta de alegria a essa esperança.

A carta aos Filipenses foi escrita na prisão. Entretanto São Paulo é sempre positivo nela e exorta à alegria. A perspectiva desse trecho é a preparação para o dia de Jesus Cristo, o último dia (Filipenses 1,7.10). Enquanto este dia não chega, São Paulo se alegra pela divulgação do Evangelho por obra dos filipenses (Filipenses 1,5). O objetivo de São Paulo é que os filipenses cheguem ao dia de Jesus Cristo, crescidos no amor e puros e sem defeitos, cheios do fruto de justiça (Filipenses 1,7.10).

O Evangelho traz uma mensagem de penitência baseada na figura de São João Batista. São João Batista preparou o povo de Israel para a vinda de Jesus e é uma figura que tem tudo a ver com a mensagem do Advento. Tendo preparado o povo para o primeiro Advento, é um personagem a ser lembrado na preparação para o segundo Advento. João não trazia toda a Sabedoria de Jesus, sua pregação era muito mais simples, mas tendo o Evangelho, sabemos o que nos espera. O objetivo do Evangelho é que cada vez mais nos apoiemos em Deus e cada vez menos nas criaturas, no dinheiro, na fama, no sucesso ou no poder. Por essa razão o Evangelho fala sempre em renúncia. Renunciar é aprender a abrir mão das coisas e até de nós mesmos, para sermos fiéis a Deus. Podemos abrir mão de nós mesmos, pois o nosso defensor é Deus que nos deu uma vida mortal e nos dará uma vida eterna. Nem mesmo a morte é maior do que o amor de Deus por nós, se buscarmos o caminho do Evangelho e não rejeitarmos o amor de Deus. Ele nos ama e só nos separaremos d’Ele se nós mesmos, pelo orgulho, nos acharmos auto-suficientes e não O buscarmos. Buscar a Deus é renunciar a todas as criaturas, até ao pai e à mãe, e aos afetos mais íntimos para dependermos cada vez mais de Deus só. E renunciar também aos bens materiais, fazendo a caridade para com o nosso próximo. “Respondeu Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me!” (Mt 19,21). Depender só de Deus corresponde à Verdade sobre a pessoa humana, criada à imagem de Deus e cuidada por Deus, que é a vida da sua vida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário